19 agosto 2006

A vida díficil das tartarugas marinhas...

Evolução

As tartarugas marinhas surgiram há, aproximadamente, 90 milhões de anos, a partir de ancestrais terrestres, surgidos provavelmente na Era Paleózoica, no final do Período Permiano, há cerca de 250 milhões de anos atrás.

De entre os animais que existiram no passado, muitas vezes recorremos aos dinossauros como referência para a extinção. Com a sequência de mudanças na Terra, estes animais acabaram por se extinguir, mas as tartarugas sobreviveram. Espalharam-se por todos os oceanos e diferenciaram-se em várias espécies. Todas, porém, mantiveram a sua característica principal de fusão das costelas e vértebras para formar um casco protector.

Uma das possíveis classificações é a seguinte:
Reino – Alimalia
Filo – Chordata
Subfilo – Vertebrata
Superclasse – Tetrapoda
Classe – Reptilia
Ordem – Testudinata
Subordem - Cryptodira
Família – 2 (Dermochelydae e Cheloniidae)
Género – vários
Espécie – várias

As tartarugas são identificadas pelas placas inframarginais (do ventre) e placas costais (do dorso) e ainda, pelo tamanho e forma da cabeça, forma das placas da cabeça e pela formação e coloração das placas costais.

Estão ameaçadas, entre outros motivos, pela destruição das suas áreas de nidificação, elevada mortalidade das fêmeas, e roubo das desovas, estando por isso incluídas em diversas listas de espécies ameaçadas e/ou em vias de extinção de diversas organizações mundiais.

Biologia

As tartarugas marinhas evoluíram, diferenciando-se de outros répteis, diminuindo o número de vértebras. As que sobraram, fundiram-se às costelas, formando uma carapaça resistente, mas leve. Esta tem a função de protecção contra impactos e predadores, e também aumenta o hidrodinamismo, facilitando o deslocamento na água.

Perderam a sua dentição, ganhando uma espécie de bico e os membros estão transformados em barbatanas, o que demonstra a sua adaptação ao meio aquático.

O seu tegumento é seco e coberto por placas, respiram por pulmões, mas conseguem suster a respiração por várias horas, diminuindo a actividade do organismo e o seu ritmo cardíaco (bradicardia), em que o fornecimento de oxigénio é auxiliado por um tipo de respiração acessória, feita pela laringe e cloaca.

A temperatura do corpo é regulada pela temperatura ambiente. Somente as fêmeas saem da água, por um curto período de tempo, para a desova. Em terra são lentas e vulneráveis, mas no mar deslocam-se com rapidez e agilidade.

Têm uma visão, olfacto e audição extremamente desenvolvidos.

Reprodução

São animais bissexuados (machos e fêmeas), com dimorfismo sexual, apenas notável nos adultos. Atingem a sua maturidade sexual por volta dos 35 anos de idade.

O acasalamento ocorre perto das praias de nidificação (onde fazem os ninhos e colocam os ovos), em águas profundas ou costeiras.

A fêmea escolhe entre vários machos e o acasalamento começa com algumas mordidelas no pescoço e nos ombros. A cópula dura várias horas e uma fêmea pode ser fecundada por vários machos.

A fertilização é interna, tendo a fêmea a capacidade de armazenar esperma.

Mesmo vivendo dispersas na imensidão dos mares, sabem o local exacto da reunião para a reprodução. Nessa altura, fazem viagens transcontinentais para voltar às praias onde nasceram para desovar. Os investigadores ainda não encontraram uma explicação para este extraordinário sentido de orientação.

O ciclo reprodutivo varia de espécie para espécie entre 2 em 2 e 4 em 4 anos.

Desova

Em alguns locais, o comportamento da desova é solitário. Procuram as praias desertas, no período entre Setembro e Março, e, regra geral, fazem-no ao anoitecer pois o calor da areia durante o dia, prejudica a postura ao mesmo tempo que a escuridão as protege de possíveis predadores.

Desovam durante a noite, num complicado processo de selecção do local do ninho. Primeiro, aproximam-se da costa, onde escolhem um trajecto escuro, sem muitos obstáculos. Segundo, sobem a praia até um local onde estejam livres da acção constante da maré. Quando atingem o local pretendido, escavam um grande buraco redondo para o ninho, com cerca de meio metro de profundidade, com as barbatanas posteriores. De seguida põem os ovos, que são redondos e brancos, semelhantes a bolas de ping-pong que estão cobertos por um muco que os protege contra fungos e bactérias. Depois, fecham a câmara preenchendo-a com areia até taparem completamente todos os ovos. Por fim, retornam ao mar, não voltando a terra até à próxima desova.

Em cada postura uma tartaruga pode colocar em média 120 ovos. As fêmeas podem desovar de 3 a 6 vezes em cada estação.

Incubação

Os ovos são brancos com cascas finas e flexíveis, no entanto é comum uma pequena percentagem de ovos anómalos.

O número de ovos varia muito entre 50 a 250 ovos, mas a média são os 120 ovos por ninho.

O período de incubação é de aproximadamente 8 semanas, sendo determinados pela temperatura.

A humidade do local da desova é um factor muito importante na incubação, onde as condições ideais são quando a humidade está próximo dos 25% com uma salinidade inferior a 25% de saturação.

Desenvolvimento embrionário

Geralmente ocorre uma rápida formação do embrião. Os factores mais importantes estão relacionados com a determinação do sexo, onde a temperatura determinante situa-se à volta dos 30ºC:
Temperatura abaixo dos 30ºC = maior número de machos;
Temperatura acima dos 30ºC = maior número de fêmeas.
Também se pensa que a localização do ovo na câmara determina uma interferência no sexo.

Eclosão

Com um estímulo “em cadeia” os filhotes com o bico córneo rompem as cascas dos ovos.

Após um repouso, trabalham juntos para escapar do ninho, tempo este que aproveitam para absorver o saco vitelino.

Os que se encontram na parte superior raspam e removem a areia do tecto da cavidade, enquanto que os de baixo cavam para os lados e constroem uma espécie de plataforma.

Geralmente, também eclodem durante a noite, quando a temperatura da areia é mais baixa.

Na superfície deslocam-se rapidamente para o mar num ritmo acelerado devido ao fototropismo positivo (são atraídos pela luz).

Muitos ovos não sobrevivem à eclosão, muitas crias não atingem o mar devido aos predadores, e mesmo aquelas que chegam, não são muitas as que sobrevivem mais de um dia. De uma maneira ou outra, cada vez menos tartarugas permanecem na população e, em média, apenas um em cada 10000 ovos sobrevive até à idade adulta.

Sem comentários: