Com partida marcada para 08 de Janeiro (2ª feira) e sem perspectivas onde ficar no anterior Sábado à noite (visto ser uma viajante de mochila às costas e não de luxo) falo com a minha irmã que tem uma amiga de uma amiga que vive lá. Na impossibilidade de me alojar, ela coloca um anúncio num fórum na Internet para a comunidade portuguesa em Barcelona. No Domingo de manhã já tenho sitio onde ficar, e como não podia ter mais sorte, fica bem perto da Universitat de Barcelona, mesmo no centro da cidade.
Universitat de Barcelona
No dia seguinte, pego num mapa da cidade e começo a planear o meu trajecto. De novo, sigo em direcção à Plaça da Catalunya para descer Les Rambles e ir até ao Port de Barcelona. O nome desta extensa avenida vem do árabe ramla, que significa o leito seco dum rio sazonal. Ao descer a rua sou transportada no tempo para quatro anos antes, altura em que passei pela cidade com os meus amigos quando regressávamos a Portugal da nossa viagem de finalistas a Lloret de Mar. Estávamos de directa e de ressaca, e escusado será dizer que não vimos absolutamente nada. Tínhamos subido Las Ramblas e voltado a descer. Nesse dia ficou a promessa que um dia voltaríamos ali. Voltei sem eles, mas não desci a rua sozinha. Foi como se por breves momentos tivesse outra vez 18 anos e eles estavam lá comigo como há quatro anos atrás.
Las Ramblas
À medida que vou descendo a rua a minha máquina fotográfica não tem descanso. Vou entrando por ruas e ruelas e conhecendo assim a chamada “Cidade Velha”.
Plaça Reial Font de Canaletes Monument a Colom
Próxima paragem: Catedral de Barcelona. Até aqui tudo corria às mil maravilhas. Decidi visitar a cidade toda a pé pois é caminhando que se conhece e se pode admirar a bela arquitectura dos edifícios catalães. Mas, como não posso ter sorte em tudo, ao chegar à Catedral vejo que está em obras.
Catedral de Barcelona
A catedral de Barcelona foi erigida no estilo gótico, iniciada em 1298 por Jaume II sobre os alicerces de um templo romano e uma mesquita mourisca. Só ficou concluída no início do séc. XX.Depois de visitar esta belíssima catedral, num dos meus estilos arquitectónicos preferidos, rumo ao Parc de la Ciutadella. Neste parque, existiu em tempos, uma cidadela em forma de estrela, projectada por Prosper Verboom e construída para Felipe V entre 1715 e 1720 após um cerco de 13 meses. A fortaleza destinava-se a albergar soldados, mas nunca sendo usada para esse fim foi convertida em prisão, particularmente conhecida durante a ocupação napoleónica. Em 1878, altura do ditador general Prim, a cidadela foi demolida e foi construído o parque onde teve lugar a Exposição Universal em 1888.
Cascata de Josep Fontseré e Antoni Gaudí
Subo a rua e vejo o Arc de Triomf, projectado por Josep Vilaseca i Casanovas. De tijolo, em estilo mudéjar, com esculturas alegóricas ao artesanato, indústria e comércio. Parece uma majestosa porta da cidade, onde as esculturas parecem saudar os visitantes e habitantes da cidade.
Passeig Lluís Companys com o Arc de Triomf ao fundo
No dia seguinte decido visitar outra zona da cidade, Eixample, e seguir a Ruta del Modernisme. Subindo o Passeig de Gràcia não tenho palavras para descrever a beleza dos edifícios que vou vendo e parando para admirar... Casa Lleó Morena
Casa Amatller
Casa Batlló
Casa Milá (La Pedrera)
E continua pela Avinguda Diagonal... Casa Terrades (Les Punxes)
O meu destino: Sagrada Família! Que ainda está em obras de conclusão, mas ao menos pude entrar e ver a bela obra de Gaudí. Este é o trabalho da sua vida. Iniciou-o em 1883 e trabalhou nela até ao ano da sua morte. Quando faleceu só uma torre da fachada da Natividade estava concluída, mas a obra prosseguiu depois da Guerra Civil e outras mais foram terminadas segundo o projecto original. Gaudí foi sepultado na cripta. Fachada da paixão
Vitrais
Tecto da capela
Fachada da Natividade
Depois de visitar a Sagrada Família por dentro, subir no elevador até ao topo e descer pelas labirínticas escadas em caracol, nada recomendadas a quem sofre de vertigens, sigo pela Gran Via de les Corts Catalanes até à Placa de Espanya.
Gran Via de les Corts Catalanes
Fonte Torres da Plaça de Espanya Palau Nacional de Montjuïc
Estou agora noutra parte da cidade: Montjuïc! A fonte no meio da praça é da autoria de Josep Maria Jujol da escola de Gaudí, com esculturas de Miquel Blay. As famosas torres de 47 metros de altura foram inspiradas pelas torres da Basílica de São Marcos em Veneza e são da autoria de Ramon Raventós. Em Montjuïc, tive ainda a oportunidade de visitar o Poble Espanyol. Esta “pequena aldeia” foi construída para a Exposição Internacional de 1929 com a ideia de ilustrar e expor os estilos arquitectónicos espanhóis.
Poble Espanyol
Desta bela cidade trouxe boas recordações. Para a próxima viagem irei à descoberta do Parc Güell e do Parc Joan Miró, entre tantos outros recantos que se encontram por descobrir nesta única cidade.

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