28 agosto 2007

Vós, jovens, sois a esperança do futuro

Decidi fazer um post de algo que escrevi quando andava no 11º ano e encontrei em arrumações pela cave. Havíamos acabado de estudar o “Sermão de Santo António aos peixes” e a minha professora de Português B, ordenou-nos um trabalho, de estrutura semelhante, mas cujo destinatário do “sermão” fossem os jovens. Tive um Muito Bom neste trabalho, com o comentário “Sábias palavras vindas de uma menina que revela grande maturidade”. Este foi o meu trabalho:
I
Muitos pensam, outros dizem e tantos garantem que vivemos num mundo sem esperança. Que o dia de amanhã é, não mais do que, um prolongamento sucessivo e duro do dia de hoje. Mas muitos também, têm esperança no futuro, e acreditam que se lutarem por isso, o dia de amanhã será um dia melhor.
Há que ponderar que os jovens de hoje, não são mais as crianças de ontem, nem devem ser encarados como tal, mas sim como os adultos de amanhã. Aqueles que irão ter um lugar na sociedade e, quem sabe, mudar o rumo do nosso país. É por isso que não devemos dar ouvidos àqueles que nos querem desencorajar. Nós, jovens, temos a obrigação de ser fortes e superiores a tudo o que vem por mal. Vamos mudar o mundo e torná-lo em algo melhor!
Os jovens de hoje estão cheios de ideias novas e brilhantes. Têm muitos sonhos que pensam, ainda, tornar realidade. É preciso ouvi-los, escutar as suas ideias e transformá-las em algo plausível e concreto. Se não concordamos com certos actos que são feitos em todo o mundo, devemos erguer as nossas vozes e fazermo-nos ouvir, pois somos nós e não os adultos ou idosos que vamos viver na Terra daqui a alguns anos, e cada passo que damos na evolução deve ser a pensar numa qualidade de vida melhor e não só na evolução por si só. Devemos deixar o Mundo um bocadinho melhor, e mais limpo, do que quando o encontrámos. Porque, senão, qualquer dia não teremos água para beber, nem ar para respirar. É por isto que nós, jovens, somos sem dúvida, a esperança do futuro.
II
É na altura de sermos jovens que, inconscientemente, formamos o nosso carácter e a nossa personalidade, que irá influenciar as decisões mais importantes da nossa vida e também, a nossa maneira de viver no futuro.
Os jovens são, normalmente, generosos, mas claro que também há aqueles que de generosos, nada têm. Por um lado, podemos afirmar com veementemente que os jovens são a fonte da generosidade. É quando somos jovens que fazemos as amizades que vão durar para toda a vida. A amizade é a maior prova de fogo à generosidade de alguém, ou não são os amigos para as ocasiões? Ser amigo, não é só ser generoso para alguém. É preciso ajudá-lo e estar presente, não só nos bons momentos, nem só nos maus momentos, mas sim em ambos. É muito comum, felizmente, ver a força de vontade dos jovens em se ajudarem uns aos outros. Estudarem juntos, fazerem trabalhos em conjunto, emprestarem apontamentos… tudo isto são exemplos da generosidade dos jovens uns para com os outros. Mas há, também, generosidade da parte dos jovens para com as crianças e os adultos. Desde emprestar, ou dar bonecas, livros e muitas outras coisas às crianças que vivem em países marcados pela guerra e nada têm; a arranjar dinheiro para a investigação e salvação de pessoas com doenças graves… tudo isto é visível nos jovens.
Por outro lado, há também muita competição entre os jovens. De uma maneira ou de outra, as pessoas querem distinguir-se das outras, ser diferentes! Os jovens também são assim. Muitos jovens competem com outros, por diversos motivos; para saber quem tem melhores notas na escola, quem é o melhor em certa disciplina, quem é considerado o mais fixe, etc. Estas situações fazem criar um ambiente nada generoso entre os jovens. Quem não assistiu já a ocorrências como esta? Um jovem perguntar a outro se este não tem apontamentos para certa disciplina, mas este, como quer tirar a melhor nota da turma, responde-lhe negativamente, apesar de estar a mentir. É triste verificar que tal facto acontece, mas nada há a fazer para o mudar… A não ser, talvez, evitarmos ser essa pessoa, ou agir como ela, ou até mesmo alertá-la para o que está a fazer de mal.
Um conselho que eu gostaria de deixar aos jovens é o seguinte: Por muito que queiram distinguir-se dos outros, a melhor maneira de o fazer não será prejudicando-os. Tentem viver em harmonia e paz, e sempre que possível, sejam generosos e preocupem-se com os outros.
E já que falamos em preocupação, também é verdade e se verifica que os jovens se preocupam com o seu futuro. Principalmente quando estão no 9º ano, grande parte dos jovens começa a tomar consciência que a sua vida irá mudar bastante a partir de esse momento e que as suas decisões vão ser tomadas com mais seriedade e convicção. Os jovens começam a interrogar-se sobre se querem ir trabalhar, ou se por outro lado, o seu desejo é prosseguir os estudos. É nesta altura da sua vida que se deparam com as melhores e as piores situações que os irão marcar para o resto da vida.
Se decidirem continuar a estudar, a sua preocupação reside no facto de tirarem boas notas para conseguirem entrar na universidade que querem, e no curso para o qual gostariam de ir. E, para tal, precisam de estudar! Precisam de aplicar-se e acreditar neles próprios e que vão ser capazes de atingir os seus objectivos se tiverem força de vontade para isso. Se decidirem trabalhar, tentam empenhar-se ao máximo naquilo que fazem. Sabem que o seu futuro depende daquele trabalho. Nesta altura da sua vida, ganham consciência para isso, isto é, tornam-se responsáveis.
Mas também é verdade que se há altura para surgir a desmotivação, é sem dúvida na adolescência. A sua força de vontade é muitas vezes posta à prova. Os jovens vêem por vezes os seus objectivos deitados por terra quando se esforçam imenso por ter uma boa nota, e acabam por não ter aquela que esperavam, ou até mesmo, terem negativa embora tivessem estudado bastante. Quando, por muito que procurem arranjar trabalho, pura e simplesmente não conseguem encontrar algo de minimamente satisfatório, na verdade, nem sequer ser suficiente.
É nestas alturas da vida dos jovens que estes começam a ter uma visão e uma atitude mais pessimista acerca do seu futuro. E começam a não dar importância ao que vão fazer no futuro. Começam a não dar importância ao futuro. Pensam apenas no presente e em aproveitar ao máximo a sua vida. Mas depois esquecem-se daquilo que pode ser mais importante, ou daquilo que lhes fará falta no futuro. Os jovens têm de aprender a não se irem abaixo cada vez que falham um objectivo seu, porque nem tudo pode correr como planeado. Além disso, no futuro surgirão imprevistos e contratempos e eles terão de aprender a lidar com eles. Por isso há que manter a motivação e o optimismo para que um jovem nunca tenha de afirmar que desistiu daquilo que mais gostava.
Finalmente, o meu conselho para os jovens é o seguinte: nunca desistam daquilo que mais gostam, nunca deixem para mais tarde aquilo que podem fazer agora. Preocupem-se sempre com vocês e com os outros. E nunca se sintam mal e deprimidos apesar das dificuldades e injustiças.
III
Quando se diz, por vezes, que os jovens vivem num mundo à parte de todas as outras pessoas, ninguém se atreve a negá-lo. Sem dúvida, este mundo à parte é a adolescência. No entanto, este mundo é difícil e injusto. Quantas vezes não se sente um jovem deprimido, afastado e isolado do resto do mundo? É nestas alturas que os jovens sentem que vivem num mundo à parte. E que os únicos que os compreendem são os outros jovens que também partilham esse mundo. Consequentemente, os jovens sentem-se incompreendidos por todos aqueles que não fazem parte desse mundo, nomeadamente, os seus pais e os “adultos” em geral.
Os jovens são, muitas vezes, postos de parte. São, sem dúvida, ignorados e incompreendidos pelos mais velhos. Embora possam ter razão, são sempre duvidados pelos adultos. Isto acontece, frequentemente e nas mais diversas situações. Porque é que se há-de tomar por verdade a palavra de alguém mais velho, e por mentira, a palavra de alguém mais novo? O facto de o ser humano mentir ou não, não depende da sua idade. Nada nos permite tomar como certo a validade de uma afirmação só porque este a disse, e não o outro! Então, porque é que os jovens são tão duvidados? Por exemplo, um jovem está numa papelaria ou num café e quer pedir aquilo que deseja, espera naturalmente a sua vez de ser atendido. Porém, se uma pessoa de mais idade aparecer e decidir passar à frente desse jovem, de nada lhe serve contestar, pois mesmo que diga a verdade, o mais certo é que a pessoa que está detrás do balcão não acredite nesse mesmo jovem e atenta primeiro a pessoa mais idosa. Este tipo de situações já aconteceu, pelo menos uma vez, a cada jovem. E é, sem dúvida, muito chato, porque o jovem sente-se inútil e não consegue perceber porque é que aconteceu esse abuso de poder.
Aquilo que também acontece muitas vezes é rotularem os jovens de mal-educados, mas se forem interrogadas, as pessoas que chamam isso aos jovens não conseguem dizer o porquê de os terem chamado isso. É apenas mais uma forma que encontraram de abusar do poder que exercem sobre os jovens. Ainda dentro do mesmo assunto, os jovens são vulgarmente designados por “geração rasca”. Mas não essa mesma geração que os nomeia aquela que os educa e os ensina? E porquê “geração rasca”? Porque os jovens têm a coragem de se afirmar e lutar pelos seus ideais? Quando os jovens reflectem na vida que levaram os seus pais, verificam que eles não tiveram a liberdade que eles, jovens, têm hoje. Além de que não tinham liberdade nenhuma, também não eram independentes. Talvez seja daí que venha a designação “geração rasca”. Na verdade, os jovens de hoje, não só têm mais liberdade como também lutam pelos seus ideais e exigem ser respeitados tal como respeitam os outros. No entanto, os mais velhos, julgam que têm o direito de ser respeitados pelos mais novos, sem terem necessariamente de os respeitar mutuamente. Mas apesar de toda esta injustiça e de todas as dificuldades, os jovens são felizes, mesmo sem o saberem. Infelizmente, só quando crescem e recordam a sua adolescência é que os jovens percebem que esta foi a melhor altura das suas vidas.
O meu conselho para os jovens é: apesar de todas as infelicidades, e de se sentirem incompreendidos, vivam um dia de cada vez e aproveitem-no ao máximo. O vosso mundo pode ser difícil e injusto mas é mais puro e mais bonito do que o mundo onde vão ter de viver um dia (o mundo dos adultos), por isso, aproveitem aquele em que vivem da melhor maneira possível.
IV
O mundo, assim como as pessoas que vivem nele, não é perfeito. Tem o seu encanto, a sua beleza, o seu não-sei-quê de especial mas, no fundo, é pobre e triste. Confrontados com esta realidade, os jovens tentam mudar o mundo para algo melhor. Quando somos crianças, tudo é uma aventura, não há maldade e mesmo os miúdos mais malandros são vistos aos olhos dos adultos como inocentes. Inocentes, de tal modo que não há maldade naquilo que fazem. Inocentes, em relação ao mundo em geral.
Um grande problema, se não o maior, afecta a juventude hoje em dia. Esse problema que com cinco letrinhas apenas se escreve é o maior causador de mortes (homicídios e suicídios) nos jovens e adultos e o maior destruidor da vida humana. Esse problema que se escreve com cinco letrinhas apenas é, efectivamente, a Droga. Essa “senhora” que se esconde por detrás de mentiras e rostos inocentes e consegue, sozinha, acabar com a felicidade e esperança de toda a gente, em todo o mundo.
Os jovens têm de vencer a tentação da Droga. Não é disso que ela passa; de uma tentação. Infelizmente, cada vez mais cedo, numa idade mais tenra, os jovens começam a entrar nesse mundo feito de ilusões. Querem estar na moda, não querem passar despercebidos, querem provar aos outros que podem ser alguém e, principalmente, não querem ser considerados crianças aos olhos dos outros. A sua iniciação no mundo da droga pode originar-se das mais diferentes maneiras. Por exemplo, os jovens começam a entrar no mundo da noite. Começam por entrar no vício do álcool, depois no vício do tabaco, mas é quando chega aquela proposta fatal que tudo muda. Os jovens são, a toda a hora, seduzidos para entrar nesse mundo com argumentos fantásticos como: precisam disso para se divertirem; se querem entrar no grupo têm de experimentar, etc. Os jovens são levados a adicionar aos cigarros substâncias alucinogénias, depois é o ecstasy (a pastilha) e, subitamente, sem darem por ela, vêem-se agarrados a uma seringa a injectar heroína para o sangue.
Os jovens têm de ser mais fortes, e têm de ser capazes de controlar a situação. Os maiores motivos pelos quais os jovens entram nesse mundo são a solidão e falta de confiança. Ainda que se diga que os amigos são para as ocasiões, são também muitas vezes aqueles que nós pensamos e consideramos nossos amigos, aqueles que nos iniciam no vício. Um jovem não precisa, nunca, de experimentar droga. Por muito que lhe digam que não vicia, que se ele não o fizer não é ninguém! Isso é tudo mentira! E, ouçam-me bem jovens, pois este é o meu conselho para vós: uma vez dentro deste mundo à parte, é muito difícil sair. Mesmo muito difícil. Pois nessa altura não há amigos, nem ninguém, com força para lutar por nós, nem ninguém que se preocupe sequer. Esta é uma das realidades que afectam o mundo e a sociedade. Mas o sonho de ela acabar ainda vem longe, no entanto, “é de pequenino que se torce o pepino”.
Muitos jovens já têm a responsabilidade e consciência que lhes permite dizer não às drogas. Esta percentagem de jovens preocupa-se em alertar os outros, e os mais novos também, como forma de prevenção. Embora não seja suficiente, já é um grande passo dado pelos jovens para um futuro melhor. Basta ver todas as campanhas de solidariedade organizadas por eles a favor da luta contra a droga. E existem livros, escritos pelos próprios jovens, que cresceram no mundo da Droga e que conseguiram sair dele, que devem ser lidos por outros jovens em todo o mundo.
Há que resistir, por muito tentadora que seja, à proposta. Mas, infelizmente, já muitos jovens caíram na teia da Droga, e fazem tudo para a conseguir. Desde roubar a matar, há toda uma sequência de actos violentos cometidos pelos jovens, e é contra essa violência que os jovens têm de combater.
Os jovens têm de vencer a tentação da violência. É ela que destrói os lares de muitas famílias. A violência só gera mais violência, e a verdade é que vivemos num mundo que de pacífico, nada tem. Talvez o exemplo mais grave e, sem dúvida, o mais actual de violência relacionada com os jovens é um caso que qualquer pessoa pode ver na televisão. A situação da guerra no Afeganistão é de um desumanismo incrível. Ao vermos crianças com menos de 11 anos a pegar em armas, por vezes maiores que elas, é um cenário deprimente e quase irreal, pois custa a acreditar que tal facto seja possível em pleno séc. XXI. A pobreza e a miséria daquele povo obriga-os a sacrificar o seu bem mais precioso, pois ao sacrificar os jovens, estão a sacrificar o seu futuro.
Os jovens, sendo a esperança do futuro, têm o dever de promover a paz, e de aprender a viver nela. Infelizmente é devido à sociedade que existe tanta violência no mundo. Isto porque ela não transmite aos jovens uma imagem e uma educação positivas. Aos jovens, é-lhe ensinado desde cedo palavras como vingança e ódio, e sendo assim, deixa de estar nas suas mãos a esperança de um futuro melhor. Tem de ser ensinado, isso sim, aos jovens, palavras como paz e amor, pois é a partir destas pequenas palavras que se consegue criar um mundo, não perfeito, mas talvez ideal e, sem dúvida, melhor.
É aos jovens que compete esta tarefa. Têm de vencer a tentação da violência, nem que para isso tenham de se revoltar contra a sociedade.
Conclusão
Apesar de triste, este é o mundo em que vivemos e, por enquanto, não temos outro para viver, logo ainda vale a pena lutar pelo que resta do mundo, e afirmo com toda a convicção, e toda a vontade, para que todos os jovens do mundo oiçam que nós, jovens, somos a esperança do futuro.

2 comentários:

tat.legionaria disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
tat.legionaria disse...

Arrasou!
Disse td ai na conclusão,o que falta para os jovens de hoje em dia eh um pouyco de esperança sim,ou lutaremos pelo meio eh que infelizmente vivemos,ou viveremos nestas condições.Mãe matando filho,filho matando mãe,avós estuprando netinhas e etc..