29 agosto 2007

Pra ti... tu sabes quem és


A última noite que dormimos juntos foi a última vez que nos vimos. Vi-te como nunca tinha visto nada nem ninguém. Apesar de apenas uma vela estar acesa foi como se o sol do meio-dia iluminasse o quarto e, de repente, tudo fazia sentido. Foi como se, na noite escura como breu, aparecesse a lua cheia e eu te visse, como nunca ninguém te viu. Vi-te como nunca te viram apesar de ter os olhos fechados. Mas a tua respiração, tornou-se sincronizada com a minha, e os nossos alentos faziam ricochete nas pequenas paredes do teu quarto, onde falávamos sem precisar de dizer nada, em branco e azul. O bater do teu coração estava ritmado com o meu, ambos sentido a mesma coisa, no mesmo momento. O teu toque na minha pele fez-me arrepiar, fez com que cada um dos pêlos do meu braço sentisse o teu pulsar, através do teu toque na minha barriga.

As horas pareceram segundos. Acariciavas-me e abraçavas-me e eu, só pensava que o mundo podia acabar ali. Tocaste-me, como nunca o tinhas feito antes, o coração. Deixaste-te levar, finalmente, pelos impulsos do coração e beijaste-me. Deixaste que a razão falasse mais alto e paraste. Eu não te impedi porque não te queria pressionar.
Sempre te deixei bem claro que estaria aqui para ti. Demonstrei-te, uma e outra vez que te amava, fosse de que maneira fosse, seja lá o que for que significa amar. Mostrei-te e voltei-te a mostrar que não sou perfeita pois sou real. Existo e sei o que quero, e anseio por ti. Não penses que te quero. Querer-te significaria possuir-te e ninguém pode ter ninguém. Se fosses meu, não serias o que és, e não te amaria por aquilo que ainda podes ser.

Nunca ninguém falou comigo como nessa noite, sem dizer uma única palavra. Ouvi os teus receios e percebi, por fim, porque sempre tiveste tanto medo. E, porque agora estamos separados por milhares de quilómetros por terra ou três horas de voo, reconheces que não me deste o devido valor. Talvez, mesmo que pudesses voltar atrás, tivesses feito tudo da mesma maneira. Acredito que o fizesses conhecendo o pouco que conheço de ti. Mas também acredito que te toquei o coração quando menos estavas à espera. Quando o tinhas fechado tão bem a sete chaves, e depois me conheceste, e eu consegui penetrá-lo. Acredito que hoje te sentas na tua cama a ler as minhas cartas e pensas “E se eu tivesse arriscado?”. Acredito que a dúvida passa pela tua cabeça e, em apenas alguns segundos, se dissipa no ar, porque não te podes permitir pensar naquilo que te faz sofrer.

Naquela noite, sem eu me dar conta, morreu em mim o resto de esperança que tinha de que ainda podíamos ficar juntos. Porque nem depois de tudo o que já te fiz para te assegurar que gosto de ti, apenas para não teres medo daquilo que todos receamos: a rejeição. Nem depois disso és capaz de agir. Dizes-me, como sempre disseste, exactamente aquilo que quero ouvir; e eu, fico aqui, a sonhar acordada, inconscientemente à espera de todas as vezes que a campainha toca ou que tocam à porta, que sejas tu do outro lado. Que tenhas, finalmente, percebido que tinhas de me ver outra vez e que não podes viver sem mim. Fico aqui, à espera, de cada vez que o meu telemóvel toca, que sejas tu para me dizeres que estavas a pensar em mim. E depois, acordo. Quando as mensagens não são tuas, os toques não são teus, e quando abro a porta não és tu que estás do outro lado. E volto à minha vida, à minha rotina, tentando, em vão, apagar as chamas de esperança que acenderam no meu coração, como um fogo em fase de rescaldo que insiste em reacender.

Há muito que te desejo escrever esta carta; que a possas ler e interpretar tal como a escrevi, isso é outra história. Ao escrever cada uma destas palavras, linhas e parágrafos, sei que não as vais entender pois não falamos a mesma língua. Aquilo que dizíamos um ao outro não precisava de tradução pois era mais intenso e mais forte que qualquer idioma do mundo. Nem sempre te entendia e tu quase nunca me entendias, mas a comunicação não era uma barreira para nós. Disseste mais em um olhar que em mil palavras. Disseste-me mais num gesto que em um discurso. Disseste-me mais numa acção que em toda uma vida de diálogos.

Foste, e por isso serás sempre, o meu primeiro amor platónico, mas a verdade é que estou cansada de sonhar e de esperar, de pensar em ti e se pensas em mim, se tens ou não saudades minhas, se à noite adormeces abraçado ao ar, a sonhar que eu estou ali, tal como na última noite em que dormimos juntos.

28 agosto 2007

Vós, jovens, sois a esperança do futuro

Decidi fazer um post de algo que escrevi quando andava no 11º ano e encontrei em arrumações pela cave. Havíamos acabado de estudar o “Sermão de Santo António aos peixes” e a minha professora de Português B, ordenou-nos um trabalho, de estrutura semelhante, mas cujo destinatário do “sermão” fossem os jovens. Tive um Muito Bom neste trabalho, com o comentário “Sábias palavras vindas de uma menina que revela grande maturidade”. Este foi o meu trabalho:
I
Muitos pensam, outros dizem e tantos garantem que vivemos num mundo sem esperança. Que o dia de amanhã é, não mais do que, um prolongamento sucessivo e duro do dia de hoje. Mas muitos também, têm esperança no futuro, e acreditam que se lutarem por isso, o dia de amanhã será um dia melhor.
Há que ponderar que os jovens de hoje, não são mais as crianças de ontem, nem devem ser encarados como tal, mas sim como os adultos de amanhã. Aqueles que irão ter um lugar na sociedade e, quem sabe, mudar o rumo do nosso país. É por isso que não devemos dar ouvidos àqueles que nos querem desencorajar. Nós, jovens, temos a obrigação de ser fortes e superiores a tudo o que vem por mal. Vamos mudar o mundo e torná-lo em algo melhor!
Os jovens de hoje estão cheios de ideias novas e brilhantes. Têm muitos sonhos que pensam, ainda, tornar realidade. É preciso ouvi-los, escutar as suas ideias e transformá-las em algo plausível e concreto. Se não concordamos com certos actos que são feitos em todo o mundo, devemos erguer as nossas vozes e fazermo-nos ouvir, pois somos nós e não os adultos ou idosos que vamos viver na Terra daqui a alguns anos, e cada passo que damos na evolução deve ser a pensar numa qualidade de vida melhor e não só na evolução por si só. Devemos deixar o Mundo um bocadinho melhor, e mais limpo, do que quando o encontrámos. Porque, senão, qualquer dia não teremos água para beber, nem ar para respirar. É por isto que nós, jovens, somos sem dúvida, a esperança do futuro.
II
É na altura de sermos jovens que, inconscientemente, formamos o nosso carácter e a nossa personalidade, que irá influenciar as decisões mais importantes da nossa vida e também, a nossa maneira de viver no futuro.
Os jovens são, normalmente, generosos, mas claro que também há aqueles que de generosos, nada têm. Por um lado, podemos afirmar com veementemente que os jovens são a fonte da generosidade. É quando somos jovens que fazemos as amizades que vão durar para toda a vida. A amizade é a maior prova de fogo à generosidade de alguém, ou não são os amigos para as ocasiões? Ser amigo, não é só ser generoso para alguém. É preciso ajudá-lo e estar presente, não só nos bons momentos, nem só nos maus momentos, mas sim em ambos. É muito comum, felizmente, ver a força de vontade dos jovens em se ajudarem uns aos outros. Estudarem juntos, fazerem trabalhos em conjunto, emprestarem apontamentos… tudo isto são exemplos da generosidade dos jovens uns para com os outros. Mas há, também, generosidade da parte dos jovens para com as crianças e os adultos. Desde emprestar, ou dar bonecas, livros e muitas outras coisas às crianças que vivem em países marcados pela guerra e nada têm; a arranjar dinheiro para a investigação e salvação de pessoas com doenças graves… tudo isto é visível nos jovens.
Por outro lado, há também muita competição entre os jovens. De uma maneira ou de outra, as pessoas querem distinguir-se das outras, ser diferentes! Os jovens também são assim. Muitos jovens competem com outros, por diversos motivos; para saber quem tem melhores notas na escola, quem é o melhor em certa disciplina, quem é considerado o mais fixe, etc. Estas situações fazem criar um ambiente nada generoso entre os jovens. Quem não assistiu já a ocorrências como esta? Um jovem perguntar a outro se este não tem apontamentos para certa disciplina, mas este, como quer tirar a melhor nota da turma, responde-lhe negativamente, apesar de estar a mentir. É triste verificar que tal facto acontece, mas nada há a fazer para o mudar… A não ser, talvez, evitarmos ser essa pessoa, ou agir como ela, ou até mesmo alertá-la para o que está a fazer de mal.
Um conselho que eu gostaria de deixar aos jovens é o seguinte: Por muito que queiram distinguir-se dos outros, a melhor maneira de o fazer não será prejudicando-os. Tentem viver em harmonia e paz, e sempre que possível, sejam generosos e preocupem-se com os outros.
E já que falamos em preocupação, também é verdade e se verifica que os jovens se preocupam com o seu futuro. Principalmente quando estão no 9º ano, grande parte dos jovens começa a tomar consciência que a sua vida irá mudar bastante a partir de esse momento e que as suas decisões vão ser tomadas com mais seriedade e convicção. Os jovens começam a interrogar-se sobre se querem ir trabalhar, ou se por outro lado, o seu desejo é prosseguir os estudos. É nesta altura da sua vida que se deparam com as melhores e as piores situações que os irão marcar para o resto da vida.
Se decidirem continuar a estudar, a sua preocupação reside no facto de tirarem boas notas para conseguirem entrar na universidade que querem, e no curso para o qual gostariam de ir. E, para tal, precisam de estudar! Precisam de aplicar-se e acreditar neles próprios e que vão ser capazes de atingir os seus objectivos se tiverem força de vontade para isso. Se decidirem trabalhar, tentam empenhar-se ao máximo naquilo que fazem. Sabem que o seu futuro depende daquele trabalho. Nesta altura da sua vida, ganham consciência para isso, isto é, tornam-se responsáveis.
Mas também é verdade que se há altura para surgir a desmotivação, é sem dúvida na adolescência. A sua força de vontade é muitas vezes posta à prova. Os jovens vêem por vezes os seus objectivos deitados por terra quando se esforçam imenso por ter uma boa nota, e acabam por não ter aquela que esperavam, ou até mesmo, terem negativa embora tivessem estudado bastante. Quando, por muito que procurem arranjar trabalho, pura e simplesmente não conseguem encontrar algo de minimamente satisfatório, na verdade, nem sequer ser suficiente.
É nestas alturas da vida dos jovens que estes começam a ter uma visão e uma atitude mais pessimista acerca do seu futuro. E começam a não dar importância ao que vão fazer no futuro. Começam a não dar importância ao futuro. Pensam apenas no presente e em aproveitar ao máximo a sua vida. Mas depois esquecem-se daquilo que pode ser mais importante, ou daquilo que lhes fará falta no futuro. Os jovens têm de aprender a não se irem abaixo cada vez que falham um objectivo seu, porque nem tudo pode correr como planeado. Além disso, no futuro surgirão imprevistos e contratempos e eles terão de aprender a lidar com eles. Por isso há que manter a motivação e o optimismo para que um jovem nunca tenha de afirmar que desistiu daquilo que mais gostava.
Finalmente, o meu conselho para os jovens é o seguinte: nunca desistam daquilo que mais gostam, nunca deixem para mais tarde aquilo que podem fazer agora. Preocupem-se sempre com vocês e com os outros. E nunca se sintam mal e deprimidos apesar das dificuldades e injustiças.
III
Quando se diz, por vezes, que os jovens vivem num mundo à parte de todas as outras pessoas, ninguém se atreve a negá-lo. Sem dúvida, este mundo à parte é a adolescência. No entanto, este mundo é difícil e injusto. Quantas vezes não se sente um jovem deprimido, afastado e isolado do resto do mundo? É nestas alturas que os jovens sentem que vivem num mundo à parte. E que os únicos que os compreendem são os outros jovens que também partilham esse mundo. Consequentemente, os jovens sentem-se incompreendidos por todos aqueles que não fazem parte desse mundo, nomeadamente, os seus pais e os “adultos” em geral.
Os jovens são, muitas vezes, postos de parte. São, sem dúvida, ignorados e incompreendidos pelos mais velhos. Embora possam ter razão, são sempre duvidados pelos adultos. Isto acontece, frequentemente e nas mais diversas situações. Porque é que se há-de tomar por verdade a palavra de alguém mais velho, e por mentira, a palavra de alguém mais novo? O facto de o ser humano mentir ou não, não depende da sua idade. Nada nos permite tomar como certo a validade de uma afirmação só porque este a disse, e não o outro! Então, porque é que os jovens são tão duvidados? Por exemplo, um jovem está numa papelaria ou num café e quer pedir aquilo que deseja, espera naturalmente a sua vez de ser atendido. Porém, se uma pessoa de mais idade aparecer e decidir passar à frente desse jovem, de nada lhe serve contestar, pois mesmo que diga a verdade, o mais certo é que a pessoa que está detrás do balcão não acredite nesse mesmo jovem e atenta primeiro a pessoa mais idosa. Este tipo de situações já aconteceu, pelo menos uma vez, a cada jovem. E é, sem dúvida, muito chato, porque o jovem sente-se inútil e não consegue perceber porque é que aconteceu esse abuso de poder.
Aquilo que também acontece muitas vezes é rotularem os jovens de mal-educados, mas se forem interrogadas, as pessoas que chamam isso aos jovens não conseguem dizer o porquê de os terem chamado isso. É apenas mais uma forma que encontraram de abusar do poder que exercem sobre os jovens. Ainda dentro do mesmo assunto, os jovens são vulgarmente designados por “geração rasca”. Mas não essa mesma geração que os nomeia aquela que os educa e os ensina? E porquê “geração rasca”? Porque os jovens têm a coragem de se afirmar e lutar pelos seus ideais? Quando os jovens reflectem na vida que levaram os seus pais, verificam que eles não tiveram a liberdade que eles, jovens, têm hoje. Além de que não tinham liberdade nenhuma, também não eram independentes. Talvez seja daí que venha a designação “geração rasca”. Na verdade, os jovens de hoje, não só têm mais liberdade como também lutam pelos seus ideais e exigem ser respeitados tal como respeitam os outros. No entanto, os mais velhos, julgam que têm o direito de ser respeitados pelos mais novos, sem terem necessariamente de os respeitar mutuamente. Mas apesar de toda esta injustiça e de todas as dificuldades, os jovens são felizes, mesmo sem o saberem. Infelizmente, só quando crescem e recordam a sua adolescência é que os jovens percebem que esta foi a melhor altura das suas vidas.
O meu conselho para os jovens é: apesar de todas as infelicidades, e de se sentirem incompreendidos, vivam um dia de cada vez e aproveitem-no ao máximo. O vosso mundo pode ser difícil e injusto mas é mais puro e mais bonito do que o mundo onde vão ter de viver um dia (o mundo dos adultos), por isso, aproveitem aquele em que vivem da melhor maneira possível.
IV
O mundo, assim como as pessoas que vivem nele, não é perfeito. Tem o seu encanto, a sua beleza, o seu não-sei-quê de especial mas, no fundo, é pobre e triste. Confrontados com esta realidade, os jovens tentam mudar o mundo para algo melhor. Quando somos crianças, tudo é uma aventura, não há maldade e mesmo os miúdos mais malandros são vistos aos olhos dos adultos como inocentes. Inocentes, de tal modo que não há maldade naquilo que fazem. Inocentes, em relação ao mundo em geral.
Um grande problema, se não o maior, afecta a juventude hoje em dia. Esse problema que com cinco letrinhas apenas se escreve é o maior causador de mortes (homicídios e suicídios) nos jovens e adultos e o maior destruidor da vida humana. Esse problema que se escreve com cinco letrinhas apenas é, efectivamente, a Droga. Essa “senhora” que se esconde por detrás de mentiras e rostos inocentes e consegue, sozinha, acabar com a felicidade e esperança de toda a gente, em todo o mundo.
Os jovens têm de vencer a tentação da Droga. Não é disso que ela passa; de uma tentação. Infelizmente, cada vez mais cedo, numa idade mais tenra, os jovens começam a entrar nesse mundo feito de ilusões. Querem estar na moda, não querem passar despercebidos, querem provar aos outros que podem ser alguém e, principalmente, não querem ser considerados crianças aos olhos dos outros. A sua iniciação no mundo da droga pode originar-se das mais diferentes maneiras. Por exemplo, os jovens começam a entrar no mundo da noite. Começam por entrar no vício do álcool, depois no vício do tabaco, mas é quando chega aquela proposta fatal que tudo muda. Os jovens são, a toda a hora, seduzidos para entrar nesse mundo com argumentos fantásticos como: precisam disso para se divertirem; se querem entrar no grupo têm de experimentar, etc. Os jovens são levados a adicionar aos cigarros substâncias alucinogénias, depois é o ecstasy (a pastilha) e, subitamente, sem darem por ela, vêem-se agarrados a uma seringa a injectar heroína para o sangue.
Os jovens têm de ser mais fortes, e têm de ser capazes de controlar a situação. Os maiores motivos pelos quais os jovens entram nesse mundo são a solidão e falta de confiança. Ainda que se diga que os amigos são para as ocasiões, são também muitas vezes aqueles que nós pensamos e consideramos nossos amigos, aqueles que nos iniciam no vício. Um jovem não precisa, nunca, de experimentar droga. Por muito que lhe digam que não vicia, que se ele não o fizer não é ninguém! Isso é tudo mentira! E, ouçam-me bem jovens, pois este é o meu conselho para vós: uma vez dentro deste mundo à parte, é muito difícil sair. Mesmo muito difícil. Pois nessa altura não há amigos, nem ninguém, com força para lutar por nós, nem ninguém que se preocupe sequer. Esta é uma das realidades que afectam o mundo e a sociedade. Mas o sonho de ela acabar ainda vem longe, no entanto, “é de pequenino que se torce o pepino”.
Muitos jovens já têm a responsabilidade e consciência que lhes permite dizer não às drogas. Esta percentagem de jovens preocupa-se em alertar os outros, e os mais novos também, como forma de prevenção. Embora não seja suficiente, já é um grande passo dado pelos jovens para um futuro melhor. Basta ver todas as campanhas de solidariedade organizadas por eles a favor da luta contra a droga. E existem livros, escritos pelos próprios jovens, que cresceram no mundo da Droga e que conseguiram sair dele, que devem ser lidos por outros jovens em todo o mundo.
Há que resistir, por muito tentadora que seja, à proposta. Mas, infelizmente, já muitos jovens caíram na teia da Droga, e fazem tudo para a conseguir. Desde roubar a matar, há toda uma sequência de actos violentos cometidos pelos jovens, e é contra essa violência que os jovens têm de combater.
Os jovens têm de vencer a tentação da violência. É ela que destrói os lares de muitas famílias. A violência só gera mais violência, e a verdade é que vivemos num mundo que de pacífico, nada tem. Talvez o exemplo mais grave e, sem dúvida, o mais actual de violência relacionada com os jovens é um caso que qualquer pessoa pode ver na televisão. A situação da guerra no Afeganistão é de um desumanismo incrível. Ao vermos crianças com menos de 11 anos a pegar em armas, por vezes maiores que elas, é um cenário deprimente e quase irreal, pois custa a acreditar que tal facto seja possível em pleno séc. XXI. A pobreza e a miséria daquele povo obriga-os a sacrificar o seu bem mais precioso, pois ao sacrificar os jovens, estão a sacrificar o seu futuro.
Os jovens, sendo a esperança do futuro, têm o dever de promover a paz, e de aprender a viver nela. Infelizmente é devido à sociedade que existe tanta violência no mundo. Isto porque ela não transmite aos jovens uma imagem e uma educação positivas. Aos jovens, é-lhe ensinado desde cedo palavras como vingança e ódio, e sendo assim, deixa de estar nas suas mãos a esperança de um futuro melhor. Tem de ser ensinado, isso sim, aos jovens, palavras como paz e amor, pois é a partir destas pequenas palavras que se consegue criar um mundo, não perfeito, mas talvez ideal e, sem dúvida, melhor.
É aos jovens que compete esta tarefa. Têm de vencer a tentação da violência, nem que para isso tenham de se revoltar contra a sociedade.
Conclusão
Apesar de triste, este é o mundo em que vivemos e, por enquanto, não temos outro para viver, logo ainda vale a pena lutar pelo que resta do mundo, e afirmo com toda a convicção, e toda a vontade, para que todos os jovens do mundo oiçam que nós, jovens, somos a esperança do futuro.

24 agosto 2007

Barcelona

O gosto por viajar tornou-se uma necessidade, não um sonho!
Em Dezembro de 2006 tomei uma decisão. Antes de voltar a Las Palmas de Gran Canaria, local onde vivi entre Setembro de 2006 e Julho de 2007, iria visitar por 4 dias uma das mais belas cidades europeias: Barcelona.

Com partida marcada para 08 de Janeiro (2ª feira) e sem perspectivas onde ficar no anterior Sábado à noite (visto ser uma viajante de mochila às costas e não de luxo) falo com a minha irmã que tem uma amiga de uma amiga que vive lá. Na impossibilidade de me alojar, ela coloca um anúncio num fórum na Internet para a comunidade portuguesa em Barcelona. No Domingo de manhã já tenho sitio onde ficar, e como não podia ter mais sorte, fica bem perto da Universitat de Barcelona, mesmo no centro da cidade.
















Universitat de Barcelona

Chega o dia seguinte e após três horas de voo aterro no aeroporto de Barcelona (Prat de Llobregat) às 4h da tarde (hora local). Com 15kg de bagagem atrás (ei, vou ficar nas Canárias 6 meses, ok?), acabo por não poder visitar nada neste dia e fico à espera que a Catarina (portuguesa a trabalhar em Barcelona que me iria dar alojamento) me venha buscar à Plaça da Catalunya.












Plaça de Catalunya

No dia seguinte, pego num mapa da cidade e começo a planear o meu trajecto. De novo, sigo em direcção à Plaça da Catalunya para descer Les Rambles e ir até ao Port de Barcelona. O nome desta extensa avenida vem do árabe ramla, que significa o leito seco dum rio sazonal. Ao descer a rua sou transportada no tempo para quatro anos antes, altura em que passei pela cidade com os meus amigos quando regressávamos a Portugal da nossa viagem de finalistas a Lloret de Mar. Estávamos de directa e de ressaca, e escusado será dizer que não vimos absolutamente nada. Tínhamos subido Las Ramblas e voltado a descer. Nesse dia ficou a promessa que um dia voltaríamos ali. Voltei sem eles, mas não desci a rua sozinha. Foi como se por breves momentos tivesse outra vez 18 anos e eles estavam lá comigo como há quatro anos atrás.


Las Ramblas

À medida que vou descendo a rua a minha máquina fotográfica não tem descanso. Vou entrando por ruas e ruelas e conhecendo assim a chamada “Cidade Velha”.


Plaça Reial Font de Canaletes Monument a Colom

Próxima paragem: Catedral de Barcelona. Até aqui tudo corria às mil maravilhas. Decidi visitar a cidade toda a pé pois é caminhando que se conhece e se pode admirar a bela arquitectura dos edifícios catalães. Mas, como não posso ter sorte em tudo, ao chegar à Catedral vejo que está em obras.


Catedral de Barcelona

A catedral de Barcelona foi erigida no estilo gótico, iniciada em 1298 por Jaume II sobre os alicerces de um templo romano e uma mesquita mourisca. Só ficou concluída no início do séc. XX.Depois de visitar esta belíssima catedral, num dos meus estilos arquitectónicos preferidos, rumo ao Parc de la Ciutadella. Neste parque, existiu em tempos, uma cidadela em forma de estrela, projectada por Prosper Verboom e construída para Felipe V entre 1715 e 1720 após um cerco de 13 meses. A fortaleza destinava-se a albergar soldados, mas nunca sendo usada para esse fim foi convertida em prisão, particularmente conhecida durante a ocupação napoleónica. Em 1878, altura do ditador general Prim, a cidadela foi demolida e foi construído o parque onde teve lugar a Exposição Universal em 1888.


Cascata de Josep Fontseré e Antoni Gaudí

Subo a rua e vejo o Arc de Triomf, projectado por Josep Vilaseca i Casanovas. De tijolo, em estilo mudéjar, com esculturas alegóricas ao artesanato, indústria e comércio. Parece uma majestosa porta da cidade, onde as esculturas parecem saudar os visitantes e habitantes da cidade.

Passeig Lluís Companys com o Arc de Triomf ao fundo

No dia seguinte decido visitar outra zona da cidade, Eixample, e seguir a Ruta del Modernisme. Subindo o Passeig de Gràcia não tenho palavras para descrever a beleza dos edifícios que vou vendo e parando para admirar...
Casa Lleó Morena Casa Amatller
Casa Batlló Casa Milá (La Pedrera)

E continua pela Avinguda Diagonal...
Casa Terrades (Les Punxes)

O meu destino: Sagrada Família! Que ainda está em obras de conclusão, mas ao menos pude entrar e ver a bela obra de Gaudí. Este é o trabalho da sua vida. Iniciou-o em 1883 e trabalhou nela até ao ano da sua morte. Quando faleceu só uma torre da fachada da Natividade estava concluída, mas a obra prosseguiu depois da Guerra Civil e outras mais foram terminadas segundo o projecto original. Gaudí foi sepultado na cripta.
Fachada da paixão Vitrais
Tecto da capelaFachada da Natividade

Depois de visitar a Sagrada Família por dentro, subir no elevador até ao topo e descer pelas labirínticas escadas em caracol, nada recomendadas a quem sofre de vertigens, sigo pela Gran Via de les Corts Catalanes até à Placa de Espanya.

Gran Via de les Corts Catalanes


Fonte Torres da Plaça de Espanya
Palau Nacional de Montjuïc

Estou agora noutra parte da cidade: Montjuïc! A fonte no meio da praça é da autoria de Josep Maria Jujol da escola de Gaudí, com esculturas de Miquel Blay. As famosas torres de 47 metros de altura foram inspiradas pelas torres da Basílica de São Marcos em Veneza e são da autoria de Ramon Raventós. Em Montjuïc, tive ainda a oportunidade de visitar o Poble Espanyol. Esta “pequena aldeia” foi construída para a Exposição Internacional de 1929 com a ideia de ilustrar e expor os estilos arquitectónicos espanhóis.


Poble Espanyol

Desta bela cidade trouxe boas recordações. Para a próxima viagem irei à descoberta do Parc Güell e do Parc Joan Miró, entre tantos outros recantos que se encontram por descobrir nesta única cidade.